Temporais no Sul e seguro patrimonial: o que a sua empresa pode fazer antes do próximo

Entre domingo e segunda desta semana, temporais com granizo e vendaval atingiram pelo menos 18 municípios de seis regiões de Santa Catarina. O boletim da Defesa Civil estadual contabilizou 1.423 habitações afetadas em levantamento preliminar, e sete cidades decretaram estado de emergência. Só em Seara, mais de 800 residências foram destelhadas.

Junto com as casas foram lojas, escritórios, galpões e consultórios. E outubro não promete alívio: o Inmet projeta chuva até 200 mm acima da média no Sul, com novo ciclone extratropical a caminho.

Quem vive aqui já percebeu o padrão. O evento extremo deixou de ser notícia rara e virou parte do calendário. A pergunta que isso coloca para quem toca um negócio é direta: se o próximo temporal acertar o seu endereço, o que acontece na segunda-feira?

Um temporal não atinge só o telhado

Essa é a imagem que todo mundo tem, e é a que menos representa o problema. O estrago muda conforme o tipo de negócio, e quase nunca fica restrito à estrutura.

Na loja de rua: a vitrine que estilhaça, o letreiro luminoso que o vento arranca da fachada, o toldo, e o estoque na área de venda quando a água entra.

No escritório, na clínica, no consultório: computadores e servidores queimados pela oscilação de energia, equipamento de imagem ou de atendimento fora de operação, e os arquivos. Contrato, prontuário, documento societário, histórico fiscal. Reconstituir papel perdido é caro e demora.

No restaurante, na padaria, no mercado: câmara fria e balcão refrigerado parados por falta de energia, e a mercadoria perecível junto. Aqui a perda começa a contar em horas, não em dias.

No galpão, na indústria, na oficina: cobertura, máquinas, matéria-prima e estoque, com a água entrando por onde a estrutura cedeu.

Ou seja, um mesmo temporal produz uma lista de estragos bem diferentes entre si:

  • quebra de vidros, vitrines e fachadas;
  • anúncios luminosos, letreiros e toldos;
  • danos elétricos em equipamentos, por queda de raio ou oscilação da rede;
  • alagamento e entrada de água, com perda de estoque e de mobiliário;
  • máquinas e equipamentos danificados;
  • documentos e arquivos perdidos;
  • a estrutura em si, do telhado às esquadrias.

São exposições de naturezas diferentes. E é exatamente por isso que dois negócios vizinhos, atingidos pelo mesmo vento, têm prejuízos que não se parecem.

O que não entra no orçamento da reforma

Depois da conta do conserto, vem uma segunda conta, e essa ninguém faz antes.

Operar de outro lugar

Se o ponto ficou inutilizável, o negócio precisa de um endereço provisório enquanto reconstrói. Isso significa aluguel de outro espaço, mudança, adaptação e, em muitos casos, o aluguel antigo continuando a correr.

Para comércio e serviço, o endereço é parte do negócio. Ficar três meses fora do ponto não é só custo, é clientela.

Refazer documentos

Recomposição de documentos é uma despesa invisível até acontecer. Segunda via, certidão, reconstituição de escrituração, registro, projeto, licença. É trabalho de escritório que ninguém tinha na agenda e que trava decisões enquanto não termina.

As pessoas que estavam no local

Se alguém da equipe estava trabalhando no momento do evento e se feriu, abre uma frente que não é patrimonial e que muita empresa só descobre depois: a responsabilidade do empregador perante o empregado. É outro tipo de proteção, com outra lógica, e vale saber disso antes.

A fila

Quando dezenas de negócios da mesma região precisam de vidro, telha, estrutura metálica e mão de obra na mesma semana, o prazo de reconstrução estica e o preço sobe. A escassez faz parte do prejuízo, e ela é maior quanto maior o evento.

Para que serve o seguro patrimonial

O seguro patrimonial empresarial existe para que um evento desses não decida o futuro do negócio. Ele transfere para uma seguradora a parte do prejuízo que a empresa não teria como absorver sozinha.

Há apólices no mercado estruturadas para contemplar eventos da natureza e também os desdobramentos deles, incluindo boa parte dos itens listados acima. O que muda bastante de um contrato para outro é como cada apólice foi montada: o que foi contemplado, quais valores foram declarados, quais limites foram contratados.

Por isso este texto não vai dizer o que a sua apólice cobre. Ninguém consegue dizer isso sem ler a sua apólice. O que dá para fazer aqui, e é mais útil, é mostrar o que prevenir e o que perguntar.

Prevenir custa pouco

Esta parte independe de seguro, de seguradora e de contrato. É manutenção, e reduz dano de verdade:

  • telhado inspecionado antes da temporada, com atenção à fixação das telhas;
  • calhas e condutores limpos, porque calha entupida transforma chuva forte em infiltração;
  • vitrines, esquadrias, toldos e letreiros com fixação conferida;
  • árvores próximas a telhados, fachadas e redes elétricas podadas;
  • estoque e arquivos fora do nível do piso e longe de paredes externas;
  • quadro elétrico, servidores e equipamentos sensíveis protegidos contra surto;
  • documentos importantes digitalizados e guardados fora do endereço físico;
  • plano simples para as primeiras horas: quem faz o quê, com telefones acessíveis no local.

E duas rotinas de papel que valem muito depois de um evento: registro fotográfico periódico com data de fachada, telhado, equipamentos e estoque, e inventário atualizado de bens com valores. Empresa cresce, compra equipamento, reforma a loja, e o cadastro continua o de 2021.

As perguntas para levar a quem cuida do seu seguro

Se a sua empresa já tem apólice, revisar não é desconfiar dela. É reconhecer que o negócio de hoje não é o de quando o contrato foi assinado, e que o clima do Sul também mudou nesse intervalo.

Marque uma conversa levando estas perguntas:

  • Eventos da natureza como vendaval, granizo e tempestade estão contemplados no meu contrato, e em quais condições?
  • E a entrada de água por outras causas, como alagamento? É tratado da mesma forma ou é outra discussão?
  • Vidros, vitrines, fachada e letreiro luminoso estão previstos?
  • Danos elétricos em equipamentos estão previstos, e com qual limite?
  • Se eu perder documentos e arquivos, existe alguma previsão para a despesa de recompor?
  • Se eu precisar operar de outro endereço durante a reconstrução, existe alguma previsão para esse custo?
  • Se a operação parar por semanas, existe proteção para a receita que deixa de entrar e para as despesas que continuam?
  • Os valores declarados de imóvel, equipamentos e estoque ainda correspondem ao custo de hoje para repor tudo isso? E o que foi comprado depois da contratação?
  • Qual é a franquia, e ela faz sentido para o tamanho dos prejuízos que eu teria?
  • Se alguém da minha equipe se machucar no local durante um evento desses, qual é a minha exposição como empregador, e o que eu tenho hoje?
  • O que eu preciso fazer nas primeiras horas, se acontecer, e para quem eu ligo?

Se as respostas vierem vagas, insista. Quem não tem essas respostas hoje vai buscá-las no pior momento possível.

Perguntas frequentes

Isso vale para empresa pequena, ou só para indústria?

Vale para qualquer negócio com um endereço físico. Loja, escritório, clínica, restaurante e prestador de serviço têm exposições diferentes das de uma indústria, não menores. Muda o desenho da proteção, não a necessidade dela.

O que fazer nas primeiras horas depois de um temporal?

Segurança das pessoas primeiro. Depois, registre tudo em foto e vídeo antes de mexer, avise imediatamente quem cuida do seu seguro e guarde comprovantes de qualquer gasto emergencial. Se houve decreto de emergência no município ou boletim meteorológico do dia, guarde também.

Posso limpar e começar a consertar logo?

O que for necessário para segurança e para evitar que o dano aumente, sim, registrando antes. O reparo definitivo é melhor conversar antes de executar, porque depois fica difícil demonstrar a extensão do que aconteceu.

Meu endereço fica numa região que alaga. Isso muda alguma coisa?

Muda, e por isso é assunto para tratar abertamente na hora de contratar ou revisar. Localização, histórico da região e características da construção entram na análise da seguradora, e é melhor discutir isso antes do contrato do que descobrir depois.

Já tenho seguro há anos e nunca usei. Preciso mexer?

Vale revisar de qualquer forma. Contrato renovado no automático acompanha a rotina da renovação, não o crescimento da empresa nem o custo atual de reposição. Revisão periódica é rotina de gestão, como conferir contrato de fornecedor.

O que fazer agora

Existe uma assimetria cruel nesse assunto. Depois do evento ninguém contrata, porque o prejuízo já aconteceu. Antes, parece uma despesa que dá para adiar mais um ano. Com outubro acima da média e um novo sistema a caminho, esse “mais um ano” ficou menos confortável.

Três coisas cabem na agenda desta semana, em qualquer negócio do Sul: olhar a estrutura e a fachada, fotografar tudo com data, e marcar uma conversa sobre a apólice. As duas primeiras são de graça. A terceira também.

Fazemos a leitura das apólices em vigor sem compromisso e respondemos, no seu contrato, as perguntas que estão neste texto. Se estiver tudo certo, dizemos que está tudo certo. E se você ainda não tem seguro, o ponto de partida é o mesmo: entender o que existe no seu endereço e o que você perderia.

Para conversar com um especialista da Southcorp, entre em contato.


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